jornalismo, cultura e a opinião que ninguém pediu

13.3.07

O FIM DO YOUTUBE?


O YouTube está enfrentando o maior processo de sua história. A Viacom (conglomerado de mídia que possui, entre outros, a MTV, a DreamWorks, a Paramount Pictures e a Nickelodeon) está processando o site em creca de 1 bilhão de dólares. Para se ter uma idéia do que isso representa, o YouTube foi comprado pelo Google no fim do ano passado por 1,76 bilhão de dólares. Ou seja, é um processo que, em última instância, pode fechar o YouTube.

O argumento da Viacom é o de sempre: violação de direitos autorais. O conglomerado de mídia contabilizou mais de 160.000 vídeos no YouTube que contém imagens de seus canais. A política do YouTube é de retirar do ar qualquer vídeo depois de ser notificado pelo reclamante. Afinal, o site não pode identificar automaticamente o que vai ao ar, uma vez que o conteúdo é provido pelos usuários, não pelo site. O YouTube apenas fornece espaço de internet para os vídeos.

Mas, pelo visto, a intenção da Viacom é mesmo fechar o site. Ela alega que o modelo de negócios do YouTube é "claramente ilegal e em óbvio conflito com as leis de copyright", uma vez que fatura publicidade em cima de "conteúdo não-autorizado". Se a Viacom ganhar, é mesmo o fim do YouTube. Depois, nada impede que outros abram processos idênticos. Aí pode ser a MGM, a Disney, a Rede Globo ou mesmo o Fernando vanucci, que protagonizou aquele vídeo em que aparece completamente vovozinha. E não é só o YouTube que fecha, é todo um modelo de troca de vídeos via internet. Afinal, se o YouTube for derrubado, o DailyMotion continua no ar? E quem vai ter coragem de fazer outro site de trocas de vídeos, podendo tomar um processo de 1 bilhão de dólares?

Pode ser o fim. Ou o YouTube faz como o Napster: vende conteúdos que os próprios conglomerados colocam lá. Vira uma lojinha virtual.

Quando a piranha da Cicarelli e seu namorado "homem-alga" fecharam o acesso do YouTube no Brasil, uma penca de manifestates foram fazer barulho em frente à MTV e pregaram o boicote ao canal. Foi um alvoroço. Mas a Cicarelli é só uma monga contratada pelo canal. Agora, quem ameaça o YouTube são os donos da MTV. Vale um protesto bem maior e muito mais ruidoso. A não ser que os manifestantes achem que a Cicarelli dá mais ibope que a Viacom.

10.3.07

LULA, O BOBO DE SUA PRÓPRIA CORTE


Só pode estar de sacanagem. Lula vai ao Rio e o que faz lá? Supervisiona os trabalhos da Força Nacional de Segurança? Propõr medidas para conter a escalada da criminalidade? Quetiona como está sendo investido o dinheiro remetido ao Pan (1,65 bilhão de reais, sendo que a previsão inicial de desenbolso do governo federal era de 138 milhões)? Não, ele vai ao Maracanã e joga bola com Sérgio Cabral. Faz um gol de pênalti e comemora.

Duas frases mostram a produtividade da viagem de Lula ao Rio.

Do ministro do Esporte, Orlando Silva: "Espero que o pênalti do presidente tenha marcado o ponto final da transferência de recursos para o Pan". Espera?

De Lula: "Acho totalmente infundado e absurdo imaginar que nós estamos gastando dez vezes mais". Acha?

Será que ele acha que o PAC vai emplacar? Demorou quatro anos para ele resolver esse plano. Nesse período, o Brasil cresceu 2,6% ao ano, em média. Precisa crescer 4%,5%. O próprio Lula já prometeu esse número várias vezes nos últimos anos. Será que nestes próximos quatro anos o Brasil cresce mais? O ministro Orlando Silva deve "esperar" que sim.

A minha esperança, que me fez votar em Lula em 2002, acabou bem rápido. Foram três momentos que me fizeram ver que o Lula presidente era uma só caricatura do Lula candidato, um personagem para distrair os jornais do absoluto deserto de idéias.

01. O cancelamento da viagem da equipe de governo até o foco da miséria.
em campanha, Lula sempre disse que o ministério inteiro deveria fazer uma viagem pelo Brasil real, conhecer as necessidades do brasileiro pobre do interior, ver a miséria de perto. Eleito, mandou aprontar a viagem. O porta-voz André Singer logo desanunciou-a, alegando que helicópteros e aviões não alcançavam áreas de difícil acesso. Quer conhecer a pobreza, Lula? Vai de ônibus, porra!

02. A expulsão dos "radicais" do PT.
Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro foram expulsos do PT no seu primeiro desentendimento com o governo. Recusaram-se a apoiar a reforma da previdência, fiéis que foram ao programa do partido. De cara lavada, os ex-guerrilheiros José Genoíno e José Dirceu comandaram a decapitação. "Ou voces estão do nosso lado ou contra nós", como diria George Bush. Os mensaleiros entenderam o recado.

03. A demissão de Cristóvam Buarque do Ministério da Educação.
Essa foi a gota d´água. Toda a vida política de Cristóvam foi voltada para a Educação. Ele deve ser considerado o primeiro pai do Bolsa-Família. Foi ele quem inventou o conceito de se repassar dinheiro a famílias pobres (e não leite, pão ou circo) em troca de contrapartidas sociais. O projeto do Fundeb é dele. Ele tem um plano para a educação. Mas foi demitido sumariamente, e de forma vergonhosa, por telefone, enquanto estava em viagem a Portugal. A razão era sua discordãncia com os rumos que o PT estava tomando. Rumos que levaram ao mensalão, à eleição de Severino Cavalcanti e à barganha por cargos no segundo mandato.

Lula se diverte, ri e brinca de ponto G com George Bush. Se ele estivesse tão indignado quanto a maioria dos brasileiros, seria melhor. Para ele e para o Brasil.

7.3.07

O JORNALISMO, POR NORMAN MAILER


"Nunca trabalhei como jornalista e não gosto dessa profissão. É um modo promíscuo de ganhar a vida.

"Assim como um advogado não tem um amor á verdade que se compare ao seu apego aos interesses de seu cliente, o repórter não tem respeito algum pela nuance. O sentido de uma situação não é o que ele explora, na verdade ele freqüentemente evita uma atmosfera, já que é difícil capturá-la num texto às pressas. Suas tentativas juvenis de procurar o espírito de um evento foram decapitadas anos atrás na mesa de um editor de texto; desde então ele foi adestrado a buscar fatos, ainda que invariavelmente os compreenda mal. É sutilmente incentivado, quando trabalha numa matéria, a depender de tudo, menos de sua escrita. É por isso que poucos repórteres escrevem bem.

"Na verdade, é pior que isso. Daqui a alguns séculos, a inteligência moral de outra época talvez contemple com horror a história das pessoas implantadas nas pessoas do século XX por meio da imprensa. Uma corrosão do cérebro coletivo é uma das conseqüências. outra é a deformação da consciência de qualquer líder cujas ações estejam constantemente nos jornais, pois ele foi obrigado a aprender a falar unicamente sob a forma de frases citáveis e autoprotetoras. Com o intuito de se comunicar com os comunicadores, ele renunciou a qualquer vestígio de uma filosofia pessoal."

Trecho do livro "O Super-Homem vai ao Supermercado" (Companhia das Letras).
Norman Mailer é escritor, nascido em Nova Jersey (EUA). Publicou ensaios, romances, novelas e reportagens. Ganhou dois prêmios Pulitzer.

4.3.07

LA REVOLUCIÓN NO SERÁ TELEVISIONADA...


... mas passa no YouTube. Esta é a primeira parte de um documentário produzido durante o golpe ocorrido na Venezuela em 2002, e que tirou Hugo Chávez do poder por 48 horas. Na ocasião muita gente comemorou:

"Caiu o falastrão" - revista Veja
"Isso é resultado das próprias ações de Chávez" - Ary Fleischer, porta-voz de George W. Bush
"Democracia não é só eleição" - Condoleezza Rice, conselheira internacional de Bush.

Dois documentaristas ingleses estavam em Caracas no momento do golpe, e mostram tudo. Mostram como, no mesmo dia, formaram-se duas passeatas, uma a favor e outra contra Chávez; mostram como os meios de comunicação apoiaram o confrontameto das duas, em frente ao Palácio Miraflores; mostram como atiradores de elite começaram a acertar partidários de ambos os lados (tiros na cabeça, certeiros); mostram como a televisão estatal venezuelana foi sabotada e tirada do ar na mesma noite; mostram como Chávez foi ameaçado a renunciar, sob o risco de ter o palácio bombardeado por militares insurgentes; mostram como no dia seguinte à prisão de Chávez, o "Bom Dia Brasil" local comemorou o golpe, louvando a participação decisiva das TVs privadas; mostram como o novo presidente empossado (Pedro Carmona, o Roberto Marinho deles) dissolveu TODAS as instituições venezuelanas num só discurso; mostram como o povo foi às ruas exigir a volta de Chávez; mostram como o Palácio Miraflores foi retomado por militares leais a Chávez, ovacionados pela multidão; mostram como as TVs, mesmo depois da retomada do palácio e da grande passeata que tomava Caracas, noticiavam que o golpe estava mantido e que as ruas estavam calmas, logo o novo presidente faria outro pronunciamento; mostram como Chávez foi encontrado dentro de um avião rumo a Miami.

É de arrepiar. Entenda porque Chávez insiste em dizer que Bush é o capeta encarnado. Veja como a TV pode manipular um país inteiro. E testemunhe como o povo pode reagir a isso.

Serviço: o documentário está em inglês, e dividido em 8 partes. Procure por "the revolution will not be televised".

3.3.07

O HOMEM QUE ENFRENTOU O RIO AMAZONAS NO BRAÇO



Martin Strel é esloveno, tem 52 anos e está atravessando o rio Amazonas a nado. São mais de 5.400 km de braçadas. Mais ou menos a distância de Recife a Porto Alegre. É uma aventura inédita, acompanhada por uma comitiva de mais de 40 pessoas, entre guias, médicos e jornalistas de todo o mundo.

Martin Strel vira estrela por onde passa, com sua roupa de neoprene, óculos de natação e uma estranha máscara que serve para proteger seu rosto do sol. Além da distância, Strel tem enfrentado a natureza selvagem do Amazonas. Calor de 40 graus (lembre que Strel vem do leste europeu, onde faz um frio dos diabos), água barrenta e a companhia de botos-rosa que nadam ao seu lado. Mas o que mais preocupa o aventureiro é o peixe candiru, que é atraído pela urina e pode entrar no corpo de um homem pelo orifício do pênis. Para tirá-lo, só com cirurgia. Daí usar roupa de neoprene num calor infernal.

Começou sua jornada em 1o de fevereiro, na cidade de Atalaya, no Peru, e deve chegar em Belém do Pará em meados de abril. Já fez metade da travessia. Com a ajuda da correnteza, nada mais de 90 km por dia.

Mas pra quê tudo isso?

"Quero provar para mim mesmo que posso conseguir mais que os outros, conquistar o impossível. Quero fazer algo que ninguém jamais fez."

A jornada de Martin Strel está sendo narrada em seu site oficial e no site da BBC Brasil.


28.2.07

A CIVILIZAÇÃO ESTÁ NA PRIVADA



"No mínimo um terço da população do planeta – uns 2,6 bilhões de pessoas – não sabe o que é um sanitário, uma latrina, uma fossa séptica, e faz suas necessidades como os animais, no mato, à beira de córregos e mananciais, ou em sacolas e latas que são jogados no meio da rua. E mais ou menos 1 bilhão utiliza águas contaminadas por fezes humanas e animais para beber, cozinhar, lavar a roupa e fazer a higiene pessoal. Isso faz com que pelo menos 2 milhões de crianças morram, a cada ano, vítimas de diarréia."

O parágrafo acima faz parte de um artigo do escritor peruano Mario Vargas Llosa, publicado na revista Piauí. Llosa analisa o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, que no ano passado focou o problema do acesso ao saneamento básico. E mostra que a medida da civilização não está no acesso a celulares, internet, TV ou bens de consumo, mas no acesso à privada e a redes de esgoto. A ONU estabelece que todo cidadão tem direito a pelo menos 20 litros de água potável por dia. Não é o caso de pelo menos 20% da população que vive nos chamados países em desenvolvimento (a parte do mundo que não é nem a Europa, nem Japão nem Estados Unidos).

No Brasil, o problema está mais no tratamento de esgoto que no acesso à água potável. A média nacional de acesso ao esgoto está em 75%. A meta da ONU é que se chegue a 85% até 2015. Não parece difícil, mas a privada está longe de ser uma prioridade dos governantes: em toda a América Latina, só 14% dos excrementos humanos são, de alguma forma, tratados. Ou seja: 86% da merda que produzimos vai direto para rios e lagos, sem escalas. E aqui "merda" é usada no sentido literal.

Serviço:
O Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 está aqui.

A revista Piauí está bombando. Além dessa e de outras reportagens excelentes, tem uma história em quadrinhos devastadora do Laerte, nosso orgulho nacional em matéria de nona arte. Clique na imagem para ler na íntegra.


27.2.07

KT TUNSTALL AND A CHERRY TREE

Ouvi essa música por acidente, e achei dugarai. É da mesma cantora de "Suddenly I See", que está estourada nas rádios.

AND THE OSCAR GOES TO...



"Os Infiltrados", um filmaço. Se você gosta de filmes policiais, compre um DVD pirata e assista agora mesmo. É um filme de caça aos ratos. Os ratos que estão infiltrados: um bandido na polícia, um policial na quadrilha. E os dois lados sabem que há um X-9 em suas fileiras. Só não sabem quem é. Algumas frases:

"Você já fingiu antes. Faça de novo. Por mim." - Martin Sheen, quando pede a Leonardo DiCaprio que se infiltre numa organização criminosa.

"Eu não sou da polícia!" - Leonardo DiCaprio, urrando enquanto Jack Nicholson esmaga seu braço com um martelo.

"Quando vocês vão pegar o Costello? O que vocês estão esperando? Ele me fatiar e alimentar os pobres? É isso que vocês estão esperando?" - Leonardo DiCaprio.

"Nós achamos que que Costello tem um espião na Unidade de investigações Especiais" - Mark Wahlberg.

"Pelo que eu me lembre, eu te dei o aviso e você não foi preso" - Matt Damon, para Jack Nicholson.

"Você tem algum infiltrado na gangue de Costello?"
"Talvez sim, talvez não. Talvez você vá se foder" - Mark Wahlberg.

"Por favor, me mate" - Matt Damon.
"Eu vou matá-lo" - Leonardo DiCaprio.

"Os Infiltrados" rendeu o primeiro Oscar da carreira de Martin Scorcese, depois de seis indicações. É irônico que um dos cineastas mais originais da América seja reconhecido por um filme "remake", copiado tal e qual "Conflitos Internos", de Hong Kong (menos o final). "Conflitos Internos" teve duas continuações. Será que o Oscar vai animar Scorcese a continuar a saga?

25.12.06

JAMES BROWN, SEX MACHINE (1933-2006)



Morreu James Brown. Entre suas invenções, estão o funk e o soul, além de um estilo único de incendiar as platéias. Os títulos de suas músicas dão conta de como ele viveu sua vida: I Feel Good; Sex Machine; Papa´s Got a Brand New Bag; Say It Loud – I´m Black n´I´m Proud; Ain't It Funky Now; Shake Your Money Maker.

James Brown nunca escondeu quem era: beberrão e maconheiro, foi preso diversas vezes, por diversos motivos. Roubou carros, usou drogas, fugiu da polícia, sonegou impostos e bateu na mulher. Aliás, em algumas das mulheres com quem foi casado. Pai musical do Tim Maia, começou cantando na igreja, logo após sair da primeira cana que puxou. Do soul gospel, fez o funk, ritmo que criou diversos galhos, do rap até o funk carioca que se ouve hoje. Nunca desprezou sua influência, e participou ativamente dos movimentos negros nos anos 1970.

Aos 73 anos, no dia de Natal, Brown morreu após uma consulta ao dentista. Nesse tempo, fez valer o título que deu a si próprio: Soul Brother Number One.

23.12.06

COLORADO CAMPEÃO DO MUNDO

A cidade de Yokohama, no Japão, abrigou o Jogo do Século. Internacional de Porto Alegre 1; Barcelona 0. Da linha de fundo da defesa, Vargas manda um chutão pra frente, Adriano Gabiru cabeceia, Luiz Adriano também, nos pés de Iarley. Já na intermediária do Barcelona, Iarley pisa na bola e o zagueiro Puyol passa batido. Chegam Rafa Márquez e Belleti para defender. Para atacar, pela direita e pela esquerda, chegam Luiz Adriano e Adriano Gabiru. Gabiru aponta para seus pés. Iarley passa para ele. Belleti cai no chão. Gabiru aponta e chuta, o goleiro Vasquez toca a bola, que passa, quica no chão e estufa as redes.

Foi esse o gol que derrubou o todo-poderoso Barcelona, campeão da Champion´s League e vice-campeão do mundo. Foi esse gol que fez do Inter CAMPEÃO DO MUNDO. Contra todos os prognósticos, contra toda a secação, contra Ronaldinho Gaúcho, o melhor jogador pipoqueiro do Mundo. Ao final do jogo, Ronaldinho chorou. Como não fez quando perdeu a Copa. Quando o Barcelona recebeu as medalhas de prata, os jogadores a tiraram do peito imediatamente. Viram Fernandão erguer a taça do mundo de peito limpo.

Clemer, Índio, Ceará, Alex, Edinho, Fabiano Eller, Hidalgo, Wellington Monteiro, Vargas, Fernandão, Iarley, Alexandre Pato, Luiz Adriano, Adriano Gabiru e Abel Braga. Protagonistas do maior torneio do maior esporte do mundo. Campeões do Mundo. Parabéns, Colorado.

Dia 17 de dezembro de 2006. Esse dia já passou, mas a emoção que trouxe acompanhará todo o resto desta vida.

4.12.06

BRASIL CAMPEÃO DE VÔLEI: UFANISMO E SUBSERVIÊNCIA CAMINHAM JUNTOS

Muito já se disse sobre o futebol ser o ópio do povo. Como apanhamos na Copa do Mundo, mais uma vez da França, serve o vôlei. Jogos de madrugada, ídolos desconhecidos, as diversidades não importam. Somos bicampeões mundiais de vôlei, e isso já serve para os ufanismos momentâneos e para a costumeira análise do caráter nacional a partir do esporte (nesse caso o vôlei, porque fomos campeões. E se tivéssemos sido vice?).

A Sportv, filha da Globo e herdeira de sua missão de promover o patriotismo e unidade nacional por meio do esporte (circensis?), veiculou uma matéria de alto cunho sociológico, narrada por Léo Batista: a seleção de vôlei não apenas ganhou o campeonato mundial, mas deu um exemplo de cidadania à nação. Mostrou disciplina, união, espírito de equipe, humildade num país onde grassam a ganância, a picaretagem e o favorecimento.

Campeã, a seleção de vôlei virou exemplo de cidadania, ética e compostura. Falou-se em dois brasis: o Brasil do vôlei e o Brasil real. “Quando esses dois Brasis vão se unir?”, perguntou Léo Batista. Faltou perguntar ao PSDB quando Bernardinho será lançado candidato à Presidência da República. Não será esse o “gerente” que o Brasil precisa?

A matéria do Sportv quer mobilizar os espectadores por meio da vitória do vôlei, não por meio da derrota na política. Por quê? Porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ou seja, não oferece risco a ninguém. Fala bonito sem dizer nada, mas usando imagens emocionantes.

O jornalista Reinaldo Azevedo foi criticado em seu blog por uma afirmação certeira: “Bernadinho tem muito a ensinar... sobre vôlei”. Infelizmente, é isso: temos a melhor equipe de vôlei do mundo. E isso só é importante para o vôlei brasileiro. Torcer pelo vôlei é mais fácil e gratificante que cobrar punição a mensaleiros e sanguessugas – ou mesmo lembrar seus nomes. Deve ter mais gente lembrando que o Giba fuma unzinho do que gente lembrando que João Paulo Cunha recebeu 50.000 reais do valerioduto.

Nesta semana, ganhamos o vôlei mundial. Mas continuamos a perder a esperança a cada dia que passa. Há muito tempo.

29.11.06

BAIXIO DAS BESTAS: PERNAMBUCO FALANDO PARA O MUNDO
O filme campeão do Festival de Cinema de Brasília foi “Baixio das Bestas”, do pernambucano Cláudio Assis. Na hora da premiação, levou mais vaias que aplausos. Teve gente que achou trash, sórdido, que fetichiza a violência. A imprensa ficou com “polêmico”. É tudo isso, mas antes de serem atributos do filme, são atributos da realidade que o filme quer mostrar, a Zona da Mata de Pernambuco, onde se vive de cortar cana, beber, tocar maracatu e putaria. Putaria da grossa e sem limites.

O filme abre com um velho de bengala postando a filha (15, 14, 12 anos?) em pé atrás do postos de gasolina. Desnuda a menina e senta ao seu lado. A câmera abre e mostra a platéia de homens admirando a menina, nua, alguns se masturbando. Suas vidas cruzam com cortadores de cana, tocadores de maracatu, prostitutas e boyzinhos putaneiros. Personagens típicos do interior de Pernambuco. Típicos porque existem, aos montes. Os diálogos, em planos longos, dão a exata dimensão dos personagens:

“O movimento tá bom hoje?” – o velho, perguntando à dona do posto antes iniciar a apresentação da menina.

“Cadê a manteiga? Eu quero é cu!” – Cícero, um dos boyzinhos, no prostíbulo.

“Ele é pobre, mas é feliz” – tocador de maracatu, sobre o personagem que trabalha cavando fossa.

“A pobreza vai socializar o mundo.” – Everardo, um dos boyzinhos.

“Você não vai virar uma rampeira de beira de estrada como a sua mãe!” – o velho, reprovando a filha após ela ter sido estuprada.

“O bom do cinema é que a gente pode fazer o que a gente quiser.” – Everardo.


Ressalte-se, diálogos em perfeito sotaque e vocabulário pernambucanos. Nada forçado, nada esteriotipado. Caio Blat fala exatamente como fala qualquer garoto pernambucano. Merecia um Oscar só pelo sotaque, muitíssimo bem-trabalhado.

A cena que é a menina dos olhos de Cláudio Assis mostra um cortador de cana dobrando a cana para beber o suco. Uma cena que não tem nada a ver com a história, mas mostra como é o dia-a-dia na Zona da Mata. Há muitas dessas cenas de cotidiano, que mostram qual o contexto e quem são os personagens (como a mãe de Cícero que sempre o acorda no sofá da sala, sofrendo de ressaca).

E as cenas que chocaram tanto assim o público? Everardo chutando a cabeça de uma puta que não queria participar da suruba, a menina desnuda atrás do posto, os boyzinhos batendo punheta, bebendo e fumando maconha, o estupro da menina.

Cláudio Assis se mostrou surpreso com tantas críticas às imagens fortes do filme. “Estão matando gente todo dia. Isso passa às dez da manhã na TV e ninguém reage. Ninguém reage! E agora vem dizer que meu filme é violento?!? Tenha paciência!"
Cláudio Assis mostra o desenrolar de sua história, com tudo o que ela tem de violento e chocante. Se não mostrasse, teria que fazer outro filme. Seu maior mérito foi fazer um filme real, sem concessões, sem exageros, sem julgamentos. É demais para o público? Está nos cinemas o filme “Happy Feet – O Pingüim”. Agora, não caia na besteira de viajar de carro pelo sertão pernambucano.

7.11.06

SADDAM, O CONDENADO


Artigo fundamental de Robert Fisk, publicado na Folha de S. Paulo:
"Assim, o antigo aliado dos Estados Unidos foi sentenciado à morte por crimes cometidos quando era o melhor amigo de Washington no mundo árabe. Os americanos sabiam tudo sobre suas atrocidades. Mas ontem lá estávamos nós, declarando que a sentença representava "um grande dia para o Iraque", segundo a Casa Branca.

O desastroso inferno que infligimos ao Iraque é tão horrível que nem mesmo podemos sustentar essa afirmação. A vida é pior, agora. Ou melhor, a morte é um destino mais freqüente para mais iraquianos do que era no caso dos curdos e xiitas nos tempos de Saddam. Por isso, não podemos alegar superioridade moral nenhuma. Nós apenas praticamos abusos sexuais contra prisioneiros, assassinamos alguns suspeitos e praticamos alguns estupros, além de termos invadido ilegalmente um país, o que custou ao Iraque apenas 30 mil vidas, nos cálculos de George W. Bush.

Saddam era muito pior. Não seremos levados a julgamento. Não seremos enforcados. "Allahu Akbar", bradou o homem execrável. "Deus é grande." Não deveria nos surpreender. Foi ele que insistiu que essas palavras fossem inscritas na bandeira iraquiana, a mesma bandeira que hoje tremula sobre o palácio do governo que o condenou depois de um julgamento no qual o genocida iraquiano foi formalmente proibido de descrever sua relação com Donald Rumsfeld, hoje secretário da Defesa de George W. Bush. Lembram-se daquele aperto de mão? E Saddam tampouco pôde falar do apoio que recebeu de George Bush pai.

Eis algumas das coisas sobre as quais Saddam não pôde depor: vendas de produtos químicos, tão repulsiva e que tanto incomodava Bush filho e lorde Blair de Kut al Amara quando decidiram depor Saddam em 2003 -ou terá sido 2002? Em 25 de maio de 1994, a Comissão de Assuntos Bancários, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado americano divulgou relatório sobre as exportações de produtos químicos e biológicos de possível uso bélico pelos Estados Unidos ao Iraque.

Entendo perfeitamente que não era possível permitir que Saddam falasse a esse respeito. John Reid, secretário do Interior britânico, disse que o enforcamento de Saddam era "a decisão soberana de um país soberano". Graças a Deus ele não citou as 200 mil libras em tiodiglicol, um dos dois componentes do gás mostarda, que exportamos ao Iraque em 1988, e outras 50 mil libras da mesma substância vendidas em 1989.

Também enviamos cloreto de tiodiglicol ao Iraque em 1988, ao preço de apenas 26 mil libras. Eu sei que esse componente poderia ser usado para produzir tinta para esferográficas e corantes para tecidos. Mas trata-se do mesmo país, o Reino Unido, que oito anos depois se recusaria a vender vacinas contra difteria às crianças iraquianas, sob a alegação de que elas poderiam ser usadas para produzir armas de destruição em massa.

Mas agora demos ao povo iraquiano pão e circo, o enforcamento de Saddam. Impusemos justiça ao homem cujo país invadimos e fizemos se dividir. O estranho é que o Iraque hoje está tomado por assassinos, estupradores e torturadores.

Muitos trabalham para o atual governo, que apoiamos. Eles não serão julgados. Nem enforcados. Essa é a extensão do nosso cinismo. Da nossa vergonha.

Em algum momento a justiça e a hipocrisia já estiveram unidas de forma tão obscena?"

30.10.06

LEITURAS DA VITÓRIA (E DA DERROTA)

O melhor palpite é o que se dá depois do jogo. Alguns veiculados na imprensa (clique nos links para ver os artigos):

Diogo Mainardi: mostrou uma irritação inédita no Manhattan Connection de domingo. Logo ele, que leva tudo pra avacalhação? Seu recado: "O povo escolheu Lula. Problema deles."

Paulo Moreira Leite: entrou na alma do eleitorado. A eleição de Lula não foi a da esperança, mas a da cobrança. Ver o homem que o povo pôs lá cair assim seria desistir de toda aquela esperança de 2002. Seria desistir de sua própria esperança. Lula só não foi eleito no 1o turno porque o povo queria dar uma lição nele, mostrar que está atento.

Reinaldo Azevedo: passou a campanha repetindo que votar em Alckmin era imperativo ético. Derrubar Lula e os 40 ladrões era o que importava. Vitória de Lula, lembrou que não se importa com que o povo pensa. "A democracia sempre foi salva pelas elites e posta em risco justamente pelo “povo”, essa entidade. Vai acontecer de novo. Lula, reeleito, tende a levar o país para o buraco." Golpismo? Reinaldo avisou que era piada, e quem não apertar a tecla SAP para entendê-las, que pare de ler seu blog.

Franklin Martins: "Outros fatores também pesaram na decisão do eleitor, como o carisma do Lula e os erros da oposição, mas a principal explicação para a expressiva vitória de ontem está na inclusão social. Ela é a grande vitoriosa nas urnas."

Paulo Henrique Amorim: foi uma vitória ideológica. Direita vs. Esquerda; Trabalhismo vs. Conservadorismo.

Ricardo Noblat: diga adeus ao terceiro turno, e digam adeus a uma oposição forte a Lula no Congresso. O PSDB está recolhendo os pedaços.

Mino Carta: Temos a tradição do voto de cabresto, mas a eleição de 2002, cujo resultado esta de 2006 confirma, a desfazem. O povo brasileiro fez sua escolha à revelia daqueles que desde sempre pretendem enganá-lo". O povo quer Lula, e não há mais quem o impeça de querê-lo.

Ressalte-se que as escolhas de Diogo Mainardi, Mino Carta e Reinaldo Azevedo foram expostas há muito tempo. Têm todo o direito de comemorar ou de espernear. Já a Veja... vamos ver em que galho vão se segurar.

REQUIÉM PARA ALCKMIN

Alckmin, o Geraldo, conseguiu uma proeza: perdeu 2,5 milhões de votos em 29 dias, período que separou o 1º do 2º turno. Só em São Paulo, onde obteve a maior vitória contra Lula no 1º turno, 230.000 pessoas desistiram de votar no Geraldo. O que deu errado? Ele mesmo.

Alçado candidato do PSDB em março, passou o tempo todo repetindo que a campanha só começava com o horário eleitoral na TV, em setembro. Não apareceu, não falou, não fez propostas, não criou factóides, não tirou foto montado em burro, nem comendo buchada de bode, muito menos ao lado de modelos sem calcinha – nada. Só aparecia nas reportagens sobre pesquisas eleitorais, sempre mal na fita. Quando o programa estreou na TV, trazia uma única certeza: Alckmin, o Geraldo, acha que o Brasil é São Paulo. Enquanto Lula mostrava negros, índios, pobres, nordestinos, nortistas, gaúchos, Alckmin só mostrava paulistas e os programas que implementou no estado. Nenhuma palavra sobre programas que ele pretendia implantar no Brasil.

Depois do 1º turno, o Geraldo se recolheu. Passou mais uma semana calado, deixando seus novíssimos eleitores sem ter o que comentar nos bares e esquinas da vida. Reapareceu no debate da Band, estilo Mike Tyson. Desferiu várias vezes o que julgava ser seu golpe mortal: “Lula, de onde vem o dinheiro?” Muita gente do PSDB aplaudiu de pé: o Geraldo finalmente vestiu o manto do anti-Lula. Ninguém mais agüentava ouvir sobre sua juventude em Pindamonhangaba.

Mas a febre durou pouco. O Geraldo resolveu voltar a ser ele mesmo, e ainda cagou na cabeça do PSDB do Rio de Janeiro e da Bahia, ao aceitar o apoio de Anthony Garotinho e Antônio Carlos Magalhães. Em vez de ganhar aliados de outros partidos, perdeu-os dentro do PSDB. E continuou a dizer rigorosamente nada sobre o que faria se fosse eleito.

Fora ser o anti-Lula, o Geraldo não foi mais nada. E nem isso fez direito. Atacava a corrupção no governo Lula, mas mal falou sobre o mensalão. Provavelmente para poupar gente do seu partido envolvida com Marcos Valério, o carequinha. Preferiu repetir diariamente a história da compra do dossiê – que não é crime.

A revista Veja perguntou a 90 eleitores de oito estados seus motivos para votar em Alckmin e em Lula. Dos que votam em Lula, 89% justificam sua decisão citando realizações do presidente. Já dos que votam em Alckmin, 60% o escolheram simplesmente porque rejeitam Lula. Não porque gostem de Alckmin. Em 1989, se dizia que o Brasil elegeria um poste para não eleger Lula. Deu certo com Collor. Não deu com Alckmin, o Geraldo.

29.10.06

VEJA DIVIDIU O BRASIL EM DOIS: LUTA DE CLASSES?

A revista Veja dividiu o Brasil em dois. Um que “busca a riqueza e o crescimento”, outro “arcaico e clientelista”. Um que está no Sul e Sudeste, outro no Norte e Nordeste. Um que vota em Alckmin, outro em Lula. Simples assim.

Veja usou um mapa para comprovar sua tese: os municípios em que Lula venceu no 1o turno estão concentrados no Nordeste e no Norte (mais pobres e menos informados); Alckmin venceu no 1º turno nos municípios do Sul e do Sudeste (mais ricos e mais informados).


Mas, segundo Veja, a divisão não é só sócio-econômica: é também moral. Na edição seguinte à realização do 1º turno, a “Carta ao Leitor” informa que a disparada de Alckmin no que seria a reta final da disputa indica que a maioria do eleitorado “não quer um país onde as autoridades responsáveis pela manutenção das leis e pelo respeito à ética são as primeiras a quebrá-las”. Afinal, o Brasil que votou em Lula está “resignado às práticas de corrupção e habitado por uma população que, premida pela miséria, tem como única perspectiva de vida usufruir os benefícios imediatos proporcionados por projetos assistencialistas”.

De acordo com essa análise, a vitória de Lula representa uma escolha do Brasil arcaico imposta ao Brasil moderno. E lembre-se: o Brasil moderno recolhe mais de 80% dos impostos federais. Esse dado foi capa do jornal Folha de S. Paulo na quarta-feira. Poderia ser manchete em qualquer dia de qualquer ano, mas só mereceu tamanho destaque às vésperas da eleição presidencial.

O apartheid de Veja é moral, econômico e geográfico. E burro. Números do Datafolha que o verdadeiro Brasil rico e bem-informado “lulou” nessas semanas entre o 1º e 2º turnos:

Entre os eleitores com renda familiar mensal acima de 3.500 reais, 53% votam em Alckmin, 43% em Lula. Alckmin leva vantagem, mas está longe de ser uma vitória esmagadora.

Entre os eleitores com escolaridade superior, 44% votam em Lula. 50% em Alckmin. Quase empate técnico.

Além disso, Alckmin perdeu votos em todos os estados do “seu” Brasil, enquanto Lula aumentou sua votação expressivamente. À exceção do Rio Grande do Sul, onde Alckmin manteve o número de votos do 1º turno. E onde Lula teve 40% a mais de votos.


Não foi o Brasil “arcaico e clientelista” que elegeu Lula. Foi o Brasil. País que ostenta o título de vice-campeão mundial de má-distribuição de renda. Má-distribuição que pode ser verificada tanto em Roraima como em Pernambuco como em São Paulo como em Porto Alegre. Em todos esses lugares há ricos morando em casas suntuosas localizadas a poucos metros de favelas. Donald Trump, dono de 2,9 bilhões de dólares, profetizou: “Os ricos vão ficar mais ricos e os pobres vão ficar mais pobres. Eu já escolhi de que lado eu quero estar”. Parece que Veja também.

26.10.06

ALCKMIN, O ILUMINADO


O Geraldo surpreendeu todo mundo. Muito se falou em "cristianizar" o candidato do PSDB, porque, contra Lula, ninguém teria chance. Lutou desde o começo do ano para ser o candidato do partido. Conseguiu a indicação no dia seguinte em que José Serra divulgou publicamente que queria a vaga para concorrer à Presidência pelo PSDB. O Geraldo começou devagar, sendo desconhecido por 50% do eleitorado. Depois do horário eleitoral gratuito, melhorou seus números, mas pesquisas mostravam que não ia dar pra levar pro 2o turno. No dia da eleição, a surpresa: 40 milhões de votos para o Geraldo. Para se ter uma idéia, José Serra, já no 2o turno contra Lula em 2002, conseguiu 35 milhões de votos.

O Geraldo lutou contra o desconhecimento do público, números desfavoráveis e companheiros de partido que preferiram ou apoiar Lula ou ao menos ignorar sua candidatura. José Serra e Aécio Neves, dois dos principais nomes do partido, falaram pouco, quase nada, em sua defesa. Quanto a FHC, esse era melhor que ficasse de lado.

Mas ele chegou lá. E agora tenta a vitória final, novamente desacreditado pelas pesquisas (perde por 20 pontos percentuais de diferença) e com falta de apoio expressivo. No dia do debate da TV Record, José Serra não foi aos estúdios acompanhar seu candidato. Preferiu assistir a um filme de Cao Hamburger, diretor do programa "Castelo Rá-Tim-Bum". Será que ele chega lá?

O Geraldo tem aparecido muito, mas fala pouco. Entre seus eleitores, não se acha ninguém capaz de elencar suas propostas. "Alckmin parece ficar desorientado quanto ao que dizer. Parece que tudo o que lhe ocorre é pedir ao eleitorado um cheque em branco para os próximos quatro anos, pois não diz nada que seja esclarecedor – e não deixa os outros dizerem. Alckmin, sem o dossiê ou uma provocação terrorista do PT, parece incapaz de alçar-se acima de dolorosas platitudes", escreve o editor da revista Veja em Brasília.

O Geraldo é o anti-Lula da vez, talvez sua melhor encarnação, porque só representa isso. Não tem idéias, nem apoio político próprio. Está longe de Serra e FHC, o máximo de apoio que conseguiu no 2o turno foi o de Garotinho. É a tábua de salvação para quem quer tirar Lula de lá. Será que o Geraldo chega lá?

15.10.06

ISRAEL: A TERRA PROMETIDA É FEITA DE SANGUE E FOGO

“A 14 de maio de 1948, se confirmaram as previsões dos profetas judeus. Segundo essas predições, o povo hebreu seria condenado a 2.000 anos de vida errante e miserável, findos os quais deveria regressar à Palestina onde, depois de grandes dificuldades , encontraria finalmente a paz". Essa declaração foi uma das primeiras oficiais do recém-formado Estado de Israel. Nesse mesmo dia 14 de maio de 1948, dia de sua fundação, Israel enfrentou sua primeira guerra contra nações árabes, e continua na mesma luta até hoje. Quase 60 anos depois, a paz não veio.

Todos os dias os telejornais mostram atentados, bombardeios e tiroteios envolvendo israelenses e palestinos. Judeus e muçulmanos. Ao contrário do que parece aos olhos do telespectador ocasional, essa guerra tem menos a ver com religião do que com terra. Uma terra do tamanho do estado de Alagoas, pouco mais de 22.000 km2.


Invasão israelense em Ramallah (Cisjordânia), 2002

Essa terra era o enclave britânico da Palestina. Depois da 1ª Guerra Mundial, os Aliados dividiram o Oriente Médio: Iraque, Síria, Turquia, Líbano, Jordânia e Palestina. A Inglaterra ficou com essa última em 1922, onde viviam mais de 650.000 árabes e 56.000 judeus. Em 1946, a proporção era de 1.000.000 de árabes para 700.000 judeus. Essa migração em massa de judeus era o movimento sionista, os judeus de volta à terra prometida.

O movimento sionista começara a se organizar em 1897, e ganhava força, prestígio e dinheiro da comunidade internacional. O Barão de Rothschild, riquíssimo banqueiro londrino, era um de seus expoentes. Judeus de todo mundo afluíam à Palestina, comprando terras inférteis e organizando os kibutz, fazendas coletivas socialistas. As terras eram propositalmente compradas em pontos espalhados da Palestina, demarcando as fronteiras do que seria o futuro país judeu.

Atentado terrorista em Tel-Aviv (Israel), 2000

A Inglaterra abandonaria o comando da Palestina em 1948, já recomendando a divisão do território em dois: um árabe e outro judeu. Os árabes, que ocupavam a terra desde o ano 638, não aceitaram a divisão. Mas assim foi feito. O resultado foi a guerra, a primeira. De um lado, os árabes palestinos, apoiados por Egito, Síria, Líbano e Jordânia. Do outro, os judeus, que treinaram no exército britânico e receberam armas da Tchecolslováquia. Mesmo em menor número, porém mais organizados e preparados há mais tempo para o conflito, os judeus não só estabeleceram o Estado de Israel como ampliaram suas fronteiras, eliminando o Estado Palestino e deixando mais de 800.000 palestinos refugiados nos países vizinhos.

Outras guerras se seguiram como a de 1967 (quando Israel tomou ainda mais territórios dos vizinhos) e a do Líbano. Hoje, estima-se em 3.000.000 os refugiados palestinos, vivendo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, territórios mantidos sob vigilância dos “postos de controle” do exército israelense.

Guerrilheiros da Brigada de Mártires Al Aqsa


Pode-se resumir assim: judeus ocuparam a Palestina árabe, criaram seu estado judaico, os árabes reagiram com guerras e as perderam, os palestinos ficaram sem país, mantém sua luta por meio dos ataques terroristas, mas são diariamente bombardeados por mísseis, bombardeiros e tanques que invadem e destroem suas já precárias cidades. E reagem com mais homens-bomba. É tudo o que têm. Porque a paz há muito tempo não parece uma opção, para nenhum dos dois lados.

19.7.06

CRIANÇAS ISRAELENSES MANDAM SEUS RECADOS...


... AS CRIANÇAS LIBANESAS OS RECEBEM

Se você não entende por que tanta matança, ou nem sabia que isso estava acontecendo, fique tunado. Este espaço vai trazer um texto para tentar explicar. Mas só para tentar.

RENTERÍA, O SACI COLORADO


Mais de 50 mil pessoas estiveram no Gigante da Beira-Rio para ver o Internacional de Porto Alegre garantir a vaga na semifinal da Taça Libertadores da América. Um jogão, dois golaços, o primeiro de Rafael Sóbis, partindo pra cima da marcação de três equatorianos do LDU; o segundo de Rentería, sozinho na lateral esquerda depois de receber um lançamento lá da defesa. De primeira, encobriu o goleiro, colocou a bola pra dentro e correu pra torcida, com gorro de saci, cachimbo na boca e pulando de uma perna só. Nosso saci colombiano já é ídolo da torcida colorada. Próxima quarta, o Inter pega os paraguaios do Libertad no estádio Defensores del Chaco na primeira semifinal.

Outro semifinalista da Libertadores da América é o São Paulo. Com dificuldade, meteu 1 x 0 no Estudiantes de la Plata, da Argentina, e levou a decisão para os pênaltis. Herrera pegou a cobrança de Danilo, Rogério Ceni deixou tudo igual ao se adiantar à cobrança e fazer a defesa são-paulina. Um tal de Carrusca chutou pra fora e o São Paulo joga a segunda semifinal do torneio.

Também teve o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, Flamengo e Vasco. Dois a zero rubro-negro, gols de Obina e Luizão. Uma pelada. Um clássico, mas uma pelada. Valeu pela bronca do técnico vascaíno Renato Gaúcho, conhecido carrasco dos flamenguistas. Após o jogo, deu o recado:

- Eu já falei, são 180 minutos de jogo, jogamos só os primeiros 90 minutos. Tem gente do outro lado que está tirando onda, gostam de tirar onda, eles têm até a próxima quarta-feira para fazer isso. Depois disso, a gente volta a conversar.