O CONHECIMENTO E A NOTÍCIA
http://www.discourses.org/OldArticles/Knowledge%20and%20News.pdf
jornalismo, cultura e a opinião que ninguém pediu
Arnaldo Jabor explicou tudo no Jornal da Globo desta terça-feira (29/09): “Zelaya, que é um ‘Chavezinho’ de Honduras, que queria se eleger para sempre virou uma vítima dos golpistas. É claro, é claro que ele sofreu um golpe, mas queria dar outro”.
Veja aqui: http://colunas.jg.globo.com/arnaldojabor/2009/09/30/a-armacao-de-chavez-sobre-o-brasil/
Ou seja, mais ou menos como Jango em 1964. É ridículo ver a direita embolorada pedir o impeachment de Lula e de Celso Amorim e denunciar que o Brasil está ferindo o princípio da “neutralidade”. A revista Time entendeu que os tempos mudaram, mas o PiG não. Aliás, os tempos mudam conforme a sua conveniência.
O Fernando Henrique não mexeu na Constituição para se reeleger? E ainda comprou votos de parlamentares por 200 mil reais?
Esses caras querem fazer de Honduras o Vietnã de Lula. Como Jabor demonstrou, esses caras ainda estão na segunda metade do século passado, quando eles tinham o dinheiro e podiam comprar quem quisessem – inclusive a História do Brasil.
Leia mais sobre nosso amigo Jabor aqui e aqui.
No Viomundo:
Aconteceu -- e eu duvido que alguém consiga dizer exatamente quando.
Há quem jogue a culpa na vitória do Google sobre a reportagem. O "gúgle", como um entrevistado que ouvi em um telecentro de uma estação de metrô de São Paulo definiu a ferramenta de buscas mais conhecida da internet, de fato se tornou o melhor amigo dos jornalistas. E, ainda que indiretamente, contribuiu para a perda da capacidade de "ouvir" dos repórteres. As novas tecnologias ajudaram a desumanizar o jornalismo e criaram nas redações os idiotas da objetividade, incapazes de perceber que há dramas humanos por trás das notícias.
Há quem jogue a culpa no novo perfil dos jornalistas. Quando comecei a carreira, como repórter-carteiro de um jornal de Bauru, em 1972, eu era filho de um comunista remediado. Éramos todos "remediados". Mesmo o "seo" Moreno, o editorialista do Jornal da Cidade, que odiávamos por ser um tremendo reacionário, escrevia suas catilinárias de um ponto-de-vista que hoje seria definido como de um "populista de direita". Nenhuma afetação dos quatrocentões do Estadão.
Éramos, de certa forma, todos representantes dos deserdados. Um dos redatores era gay, numa época em que ninguem saia do armário. Outro, um professor, vociferava "contra o sistema". "Sistema" era a ditadura militar. O diretor do jornal era um sindicalista ferroviário que havia sido cassado pelos militares. O dono do jornal, um empresário bem sucedido, se conformava em empregar aquela plebe rude. Não havia muita escolha. Nós éramos "jornalistas".
Hoje, como sempre enfatiza o Leandro Fortes, a Globo, a Folha e a Veja formam os seus próprios "monstrinhos". São os meninos e meninas da classe média, do Google, dos seriados americanos que passam na TV a cabo. São esses os jornalistas de hoje. As redações se "profissionalizaram". Os idiotas da objetividade venceram.
No tempo do futebol pelo rádio uma jogada dependia mais do narrador do que da classe do centroavante. Eram ataques fulminantes, defesas espantosas, o futebol no Philco lá de casa era muito mais vivo que o jogado na grama esburacada do estádio "Alfredo de Castilho". Hoje, os narradores da SporTV nos enchem de estatísticas. O que importa que no confronto entre Santos e Corinthians o Santos tenha vencido 188 vezes -- contra 123 vezes do Corinthians -- se na partida que está sendo jogada AGORA, que é a que interessa, o Santos está perdendo?
Eu não tenho a menor noção sobre o que motivou esse fosso, nem quando ele se abriu.
Apenas constato que o Jornalismo se desumanizou.
Outro dia eu escrevi o seguinte sobre os preconceitos exibidos sem qualquer pudor por nossos colunistas:
Ler os jornais brasileiros, hoje em dia, equivale a se expor a uma exibição despudorada de preconceitos vindos daqueles que, por ilustração, deveriam ser os primeiros a reconhecê-los. Mas o ódio de classe cega. Cega a ponto de fazer com que gente "bem" se exponha de maneira abertamente pornográfica. Há, subjacente ao preconceito, um motivo comercial a incentivar esse strip-tease ideológico: em um ambiente cada vez mais competitivo, marca quem chamar mais a atenção.
Não importa que o striper nos ofereça um corpo surrado, barrigudo, salpicado de celulites e estrias. Importa é que prestemos atenção nele, ainda que fortuitamente. Semana que vem, ele promete, tem mais. Dispensa-se o convencimento embasado em conhecimento e na razão. Importa é causar debate, atrair tráfego e leitores, "brilhar". Na sociedade midiatizada, inauguramos a era dos "midiotas". Assim como temos os famosos que são famosos por serem famosos, temos os comentaristas que são lidos pela capacidade de chocar. São as "moscas" da Folha de S. Paulo, jornal marqueteiro que quer nos vender o supra sumo do elitismo e do preconceito como algo revolucionário, "in your face", ousado. Que o espírito de Raul Seixas tenha piedade deles.
Hoje, li de Mauro Santayanna a seguinte descrição de dois crimes bárbaros, que receberam uma cobertura desumana de grande parte da mídia:
Duas notícias, destas horas, deviam mover a consternação e a indignação da sociedade brasileira. O assassinato de uma adolescente, em favela de São Paulo, por um agente da polícia municipal de São Caetano do Sul, provocou a reação irada da população. O Estado, há muito tempo, não tem conseguido preparar suas forças para manter a ordem. A jovem Ana Cristina foi baleada quando os guardas municipais perseguiam um homem, suspeito de roubar um carro. Para recuperar um veículo, mataram uma pessoa.
Ao retirar grupo do MST de uma fazenda que ocupava, em São Gabriel, a polícia militar gaúcha, além de assassinar pelas costas um lavrador, e de usar armas que provocam choque elétrico, cães, cavalos e bombas, aterrorizou e torturou, física e psicologicamente várias crianças. Um bebê foi ferido por estilhaços no rosto. O fato será denunciado ao Ministério Público pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
E constatei, com pesar, que Jornalismo e Humanismo deixaram de ser sinônimos.
Tragam o "seo" Moreno de volta. Ele era reacionário, sim. Mas era humano.
Luiz Carlos Azenha é jornalista. Uma vez, pela TV Manchete, conseguiu uma entrevista exclusiva com Mikhail Gorbatchev, no meio da rua, em plena União Soviética. Enquanto o premier sorria para as câmeras, os seguranças da KGB chutavam a canela do repórter.
Em 2010, o Brasil terminará de atravessar uma época de inédita estabilidade política. Serão 16 anos em que o poder esteve nas mãos de presidentes eleitos – duas vezes cada um. No ano que vem, a população terá a oportunidade de avaliar candidatos e partidos que já tiveram a oportunidade de mostrar a que vieram. Não haverá mais heróis como Collor, piadas como Enéas, intelectuais garbosos como FHC, nem sapos barbudos como Lula. O Brasil vai poder comparar ideologias, programas, vai poder escolher o Brasil que queremos. Waaaalllll...
Ciro Gomes percebeu isso e saiu na frente. Está peregrinando por programas de TV para apresentar sua candidatura. Seu discurso não poderia ser mais oportuno: com FHC e Lula na balança, o operário língua-presa vence de goleada. Para o desespero dos reacionários da velha guarda, como o boca-frouxa Boris Casoy.
Enquanto FHC privatizou tudo quanto pôde, Lula fortaleceu a Petrobras e o Banco do Brasil.
Enquanto FHC aumentou a dívida pública para 78% do PIB, Lula virou credor do FMI.
Enquanto FHC quebrou o Brasil três vezes, Lula segurou a barra da maior crise do capitalismo moderno.
É do interesse de muita gente polarizar a disputa entre Serra e Dilma, PSDB e PT. A única coisa que eles têm em comum é que são generais linha-dura, que centralizam o poder e comandam com mão de ferro. Qualquer um dos dois, se eleito, vai radicalizar para o seu lado. Até porque ambos possuem o carisma de um buldogue.
Ainda que representem as forças mais poderosas da política nacional, existe a chance de ambos naufragarem. Num Brasil em que os pobres estão começando a acreditar que também são gente – graças ao bolsa-família –, há bastante espaço para novas idéias, desgarradas dos velhos conceitos que fizeram da segunda metade do século XX uma tragédia econômica e social – não só aqui, mas em toda a América Latina.
Ciro Gomes, Marina Silva e Aécio Neves têm a chance de apresentar novas idéias para um país que está na moda. Basta que tenham aprendido algo com os acontecimentos dos últimos 16 anos. O catálogo de cagadas e oportunidades perdidas no Brasil é bem completo e está à disposição para consulta.
Leonardo Echeverria e Priscilla Borges - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Para o ministro Gilmar Mendes, a ação levou à Suprema Corte “uma das questões constitucionais mais fascinantes de nosso tempo”. Para ele, a discussão sobre o tema no Brasil chegou “ao auge” e a ação movida pelo DEM é “de suma importância” para a democracia brasileira. Porém, o presidente do STF diz que não vê razão para suspender a matrícula ou para interferir no andamento dos trabalhos da universidade antes que uma decisão final seja proferida pelo STF.
Em uma peça que cita Norberto Bobbio, Gilberto Freyre, Caetano Veloso, Ronaldo Fenômeno e os atentados de 11 de setembro, Gilmar Mendes lança uma série de questionamentos quanto às ações afirmativas, existência de raças no Brasil e tipos de preconceitos existentes. “Somos ou não um país racista?” “Até que ponto exclusão racial gera preconceito?” “A adoção do critério da renda não seria mais adequada para a democratização do acesso ao ensino superior no Brasil?” ”Esses estudos (que apontam para a diferença de padrão de vida entre negros e brancos) poderiam ser questionados?” Todas essas perguntas ficam no ar, sem resposta. O texto cita quatro vezes o livro “Não Somos Racistas”, de Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo.
REPERCUSSÃO - Na Universidade de Brasília, a decisão foi recebida com alívio. “Estou surpreso, mas de uma forma positiva”, diz o professor José Jorge, um dos idealizadores do sistema de cotas. “O voto indica uma qualidade da discussão que nos favorece, quando lembra que junto à liberdade e à igualdade, existe a fraternidade, e as cotas são um exercício de fraternidade", afirma o professor.
“Agora temos mais tempo para nos organizar. Estamos conclamando um debate com toda a sociedade civil, a partir da perspectiva dos movimentos negros”, conta Rafael Moreira, aluno de Antropologia que entrou na UnB pelo sistema de cotas em 2005. “O momento agora é de angariar forças e apoios para essa disputa, que é de formação da opinião pública”, completa.
“A decisão correspondeu à expectativa da universidade, de que esse assunto não pode ser resolvido liminarmente, mas sim no Plenário do Supremo”, disse o reitor José Geraldo de Sousa Junior. “Eu acredito que deve prevalecer o sentido emancipatório do direito, levando em conta os direitos humanos internacionais e as definições da Constituição que apóiam as ações afirmativas como pressuposto da dignidade da pessoa humana e dos direitos fundamentais”.
ÔNUS - A advogada do DEM, Roberta Kaufmann, disse em entrevista à UnB Agência que não se sentiu derrotada. Ao contrário, explicou que ficou extremamente feliz" com a decisão de Gilmar Mendes. "Ele esclareceu todos os ônus que a política racialista poderia trazer", diz a advogada. "Acredito que ele se coadunou com a nossa tese". Roberta conta que peregrinou por vários partidos até achar um que apoiasse a causa defendida por ela. "Para mim, isso é uma questão de ideologia", diz.
Segundo a advogada, a decisão de entrar com a ação na semana seguinte à divulgação dos resultados do vestibular, durante as férias do Supremo, não foi uma estratégia pensada. Ela diz que a ação tinha intenção de impedir a matrícula dos alunos antes que o registro fosse feito, mas tinha certeza que o presidente do STF nunca ia dar uma decisão que ferisse direitos adquiridos. Roberta nega que tenha movido a ação para que o ministro Gilmar Mendes resolvesse sozinho a questão das cotas. "Isso foi para que o processo não entrasse na vala comum do STF, onde as decisões demoram anos", afirma.
Depois da negativa do pedido de liminar, Roberta està ansiosa para fazer a defesa oral da ação no plenário. "As cotas estão com os dias contados", prevê.
O STF derrubou a exigência do diploma para a prática do jornalismo.
Diploma já era. Agora a briga é dos sindicatos! Regular o exercício da profissão, manter os pisos salariais, fiscalizar sempre. Primeira sugestão: prova de português e interpretação de texto para os focas. Os sem-diploma vão ter que estudar também, ler bastante, apresentar um nível intelectual adequado. Uma faculdade sempre vai fazer diferença para quem quer viver da profissão. Mas a não-obrigatoriedade do diploma vai abrir espaço pra muita gente que leu os livros certos.
No Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim, "Saiu a lei Áurea do jornalismo".
- Mauro Santayana, outro excelente jornalista, costuma dizer que a exigência do diploma elitizou as redações. As redações não refletiam mais a composição da sociedade brasileira: as redações se tornaram quase brancas, quase ricas e quase ignorantes… Jornalista deveria ter um curso universitário: estudar matemática, história, filosofia, biologia – e fazer um curso profissionalizante de jornalista de, no máximo, três meses. O diploma fez os jornalistas parecidos com os donos dos jornais. E ajudou a construir o PiG (Partido da Imprensa Golpista).
Na UnB, Gonzaga Motta prevê o esgarçamento da profissão:
- Aparentemente, só empresas provincianas, familiares ou pouco profissionais têm interesse no fim do diploma. Isso daria a elas liberdade para empregar parentes, afilhados e compadres, sem formação. Talvez o fim do diploma possa ser também útil a algumas empresas de fachada moderna, mas interessadas no enfraquecimento da profissão para reduzir salários e manipular as relações empregatícias.
Deu na Folha de S. Paulo:
Hoje completam-se 25 anos da morte de Robert Nesta Marley, o Bob. Da favela de Trenchtown, na Jamaica, Bob Marley mostrou o reggae ao mundo. E o mundo se curvou. Bob usou sua música, sua fama e sua vida para divulgar a religião Rastafari.
Bob Marley morreu de câncer, principalmente porque recusou-se a amputar um dedo do pé infeccionado. Sua religião não permitia. Carregou ambas, a religião e a doença, até o fim. E queimando tudo até a última ponta. Foi o último grande profeta que caminhou entre nós.
Como falasse tudo que acreditava, Bob foi vítima de um atentado na Jamaica, em 1976. Foi baleado no braço e no tórax. Dois dias depois, subiu ao palco em um show beneficiente. Perguntaram-lhe porque não ficou quieto em casa:
- As forças do mal não descansam um dia sequer. Eu também não vou descansar.
Bob Marley cantou a vida, o amor, a paz e a esperança. Por isso, seja qual for a sua religião, aproveite esta data e acenda uma vela para Bob. Se é que você me entende...
"Don´t worry about a thing. 'Cause every little thing is gonna be allright".

Os Bellrays lançaram um novo disco. Pare tudo que estiver fazendo. Esqueça quem matou Isabella. Ignore a CPI dos Cartões Corporativos. Lixe-se para o 3o mandato de Lula. Mande seu chefe à merda. Abram alas para o rock n´roll.
O quarteto de Riverside, Califónia, a banda mais pedreira do mundo, atropela o pop, o electro, o dance, o axé e o pagode e prega a revolução imediata com sua mistura explosiva do punk com o soul no novo álbum "Hard, Sweet, Sticky".
Baixe agora o disco aqui ou ouça as músicas no MySpace.
Ou você ainda quer saber quem matou Isabella?
Supla tem razões de sentir-se incompreendido. Filho de senador e prefeita, preferiu o rock n´roll à tradição familiar. Começou como clone do Billy Idol na banda Tokyo e lançou "Garota de Berlim". Depois mudou-se para o Bronx e fundou a "bossa furiosa" nos inferninhos de Nova Iorque. Até que participou da Casa dos Artistas e foi motivo de piada pela música "Green Hair", mais conhecida como "Japa Girl". Sua imagem perfomática sempre fez mais sucesso que sua música. Em mais de 20 anos de carreira, ainda é visto como adolescente rebelde.
Que seja. Sua música amadureceu, sem perder as raízes do rock. A prova é seu mais novo disco, "Brothers of Brazil", em parceria com seu irmão João Suplicy. MPB tipo exportação com uma pegada mais pesada, mistura ritmos e influências apenas com violâo e bateria. Confira mais em www.myspace.com/brothersofbrazil.
A vídeo acima é da música "Samba Around the Clock".

Hoje completam-se 44 anos do golpe militar que instituiu a ditadura militar no Brasil. Muita gente comemorou. Se Lula fosse apeado do poder, pelos mesmos motivos que Jango foi derrubado, também muitos comemorariam. Segue abaixo transcrição de editorial de "O Globo" no dia seguinte ao golpe (a TV só seria inaugurada um ano depois):
"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.
Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.
Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.
Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez".
O blog do jornalista Luiz Carlos Azenha recuperou o texto na íntegra. Também destacou as gravações em que o presidente dos USA Lyndon Johnson coordena seu apoio ao golpe de 1964. George Ball, subsecretário de Defesa, comunica ao presidente que já mandou alguns navios petroleiros rumarem ao Brasil, com o objetivo de fornecer gasolina aos militares insurgentes. Também estava preparando aviões com munição, mas esses só chegariam aqui entre os dias 8 e 10 de abril.
Mal sabiam que nada disso seria necessário. O golpe se consumou sem troca de tiros, ninguém morreu na nossa "revolução". Os militares só precisaram proclamar a vitória. O povo aceitou. E os donos do poder comemoraram. Hoje seria diferente?
Pra quê serve o Rock n´roll? Pra dizer o que você não tem coragem. Pra gritar o que você nem sabe que sente. Pra aparecer pro mundo. Pra quebrar tudo. Pra dizer foda-se. Pra saber que você está vivo.
Ouça no volume máximo. A partir daí, faça o que quiser.
Fatos são fatos. Mas quem faz a notícia são os jornalistas. Os do Jornal Nacional, da Globo, fazem-nas segundo suas escolhas. Que já estão manjadas. Dois exemplos da edição de terça-feira:
01. Dunga fez mais uma convocação para a seleção brasileira, dessa vez para um jogo comemorativo da Copa de 58, contra a Suécia. Para o repórter da Globo, "uma ausência foi sentida". Por quem, cara-pálida? Entre todos os milhares de fatos que envolvem uma convocação do escrete canarinho, a Globo escolheu um que não aconteceu: Ronaldinho Gaúcho não foi chamado por Dunga. Ou seja, mesmo que não jogue, Ronaldinho Gaúcho é a notícia. Não será nem o jogo em si, nem a renovação do elenco depois da palhaçada da última Copa, nem mesmo uma discussão sobre quem são os titulares e os reservas.
Sabe-se que a Globo paga uma bolada fenomenal à CBF pelos direitos exclusivos sobre a seleção. Mas quem determina os "titulares absolutos" da seleção é o técnico. No caso, Dunga, o colorado.
02. O governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, foi flagrado contratando os serviços de uma prostituta. Nos USA, isso é treta braba (aqui, Geane Mary Corner, a cafetina do Congresso, nunca foi incomodada pela polícia). Mas, para o JN, o fato é apenas um apêndice da pré-campanha eleitoral do Império do Tio Sam. A notícia começa tratando de Hillay e Obama, e, nesse contexto, a putaria do governador deve causar alguma dor de cabeça à Hillary Clinton, a quem Spitzer apóia. Agora, o que tem Hillary a ver com isso? O site da revista "The Economist" traz o escândalo de Nova Iorque na capa, mas a matéria não cita nem Hillary nem Obama uma única vez. Conta como a polícia pegou Spitzer com a boca na botija, lista os crimes em que o governador pode ser enquadrado e traça-lhe uma breve biografia. Destaca que o homem forte de NY chegou lá com um discurso moralizador, depois que, como procurador do Estado, botou figurões de Wall Street no xilindró. Poder, sexo, difamação pública, essa história oferece tudo isso, mas o JN prefere Hillary e Obama.
No final da matéria, o repórter Roberto Kovalick relata que o governador Spitz, segundo as prostitutas, é um cliente "difícil".
O que quer dizer "difícil"? Violento, caloteiro ou broxa?
Ainda não chegamos ao meio do ano, mas muita coisa já aconteceu até aqui. Mais uma vez, a opinião que ninguém pediu sobre assuntos que não interessam tanto assim, só aqui, no blog que ninguém lê:
INTER vs INTER: Só pode haver um. Mais uma vez o colorado de Porto Alegre encarou um dos grandes da Europa e, na raça, mostrou que estrela de cu é rola. Dessa vez, a Inter de Milão colocou Ibraimovich, Crespo, Materazzi e até mesmo Pelé (sim, eles têm um jogador com esse nome) contra o escrete de Fernandão, Magrão, Alex e Guiñazu. Fernandão carimbou o gol de Júlio César logo no primeiro minuto, Jimenez empatou para os nerazzuras e Nilmar, de bicicleta, garantiu a vitória colorada. Depois de Barcelona e Inter de Milão, o colorado agora espera o Real Madrid e o Manchester United. CAMISA FEIA, CHEIA DE LISTRA! TODO VIADO QUE EU CONHEÇO É GREMISTA!
TROPA DE ELITE, OSSO DURO DE ROER: Muita gente aqui no Brasil comemorou as primeiras críticas internacionais ao filme "Tropa de Elite": é fascista, "rambo-style", do jeito que haviam denunciado aqui. Isso até que o filme ganhou o prêmio principal do Festival de Berlim. Essa patota do cinema nacional é enojante. Foi a mesma que vaiou "Baixio das Bestas" no Festival de Brasília, por mostrar a violência - real - da zona da mata pernambucana (leia aqui). Faz um monte de filmes sensíveis e soporíferos que ninguem vê ("O Ano que meus Pais Saíram de Ferias", rejeitado pelo Oscar), mas não agüenta quando um filme faz sucesso simplesmente mostrando a realidade brasileira (sim, filhos de Glauber Rocha, a realidade brasileira é mesmo feia, suja, malvada e violenta). Tão com nojinho?
OS PERDIDOS FORAM ACHADOS: Começou a quarta temporada de Lost. Uma expedição chegou à ilha e resgatou seis sobreviventes. Jack tentou matar Locke. Hurley viu a cabana de Jacob. Sayid se vendeu aos Outros. Kate adotou o filho da Claire. Não entendeu nada? Bem-vindo a Lost.
O JORNALISMO É UMA FARSA: Caiu a CPMF. A imprensa comemora como se fosse o hexacampeonato brasileiro. William Waack vê praticar-se a política com "P" maiúsculo: começou uma campanha por menos impostos. Isso porque cortaram 0,38% de uma carga tributária de mais de 30%. Realmente, tem gente até pensando em comprar apartamento com essa economia... Lula sobe a favela, anuncia que vai construir um elevador Lacerda no Complexo do Alemão e os jornais do dia seguinte não acham que isso é notícia. Veja não noticiou. Estadão e Folha acharam que não merecia chamada de capa. O Globo deu na capa, mas não na manchete. Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, escreveu dia desses um artigo criticando o fato de beneficiários do Bolsa-Família usarem o dinheiro do governo para comprar geladeira e lava-roupa a prestação. É o nosso "farol da modernidade"... Enquanto isso, Luis Nassif prova por A+B que a Veja se vendeu a Daniel Dantas. Leia aqui. Mas o pior de tudo é ter que concordar com o Arnaldo Jabor...
HUGO CHÁVEZ QUER VER O CIRCO PEGAR FOGO: O exército da Colômbia avançou 2 km na fronteira com o Equador e bombardeou o subcomandante das FARC, Raúl Reyes. O único que gostou foi George Bush. Rafael Corrêa, presidente do Equador, e Hugo Chávez, que está do lado oposto da fronteira, ameaçaram ir à guerra. Nao deu em nada. Todos já apertaram as mãos e ficou por isso mesmo. Mas duas coisas ficaram claras: Chávez apóia as FARC e Bush apóia Àlvaro Uribe, presidente da Colômbia. E Lula? Está mais preocupado em fazer Dilma Roussef presidente do Brasil.